Tatiana Ferraz, diretora de núcleos regionais da ABRH Bahia, fala ao Jornal Correio sobre atestado m



Bloco do Atestado: casos de conjuntivite no Carnaval crescem 1.000%

Só durante o Carnaval, Salvador registrou 191 casos da doença

Desce a novinha, vovó, papai e titia, todo mundo pro consultório médico à procura de atendimento. Quarta-feira de Cinzas chegou, passou e o que mais tem é folião que tá só o pó. Com o fim da farra, chegou a doença da vez que, este ano, parece ser a conjuntivite. Só durante o Carnaval, Salvador registrou 191 casos da doença, segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS). No ano passado, no mesmo período, foram 17 - aumento de 1.023%.

O apelido dado à doença, por sua vez, fica ao gosto do paciente. “É a ‘No Groove’, né?”, aposta a auxiliar de atendimento Jacivalda Amaral, 47 anos, enquanto aguardava atendimento na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) do Vale dos Barris. Ela, assim como pelo menos outras sete pessoas, foi à unidade, ontem de manhã, de óculos escuros e com sintomas da inflamação

Glitter De acordo com o coordenador de Urgência do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) de Salvador, Ivan Paiva, apesar dos casos registrados pelos postos da SMS, é possível que o número de pessoas sofrendo com a conjuntivite seja bem maior.

Isso porque os pacientes podem ter procurado outros postos de atendimento, sem contar os que ainda não apresentaram os sintomas da doença e podem, nos próximos dias, desenvolvê-la.

E de onde vem tanto caso da doença? O glitter, que fez tanto sucesso na folia deste ano, pode ser um dos culpados. Primeiro porque, ao compartilhar o pó, o folião pode ser contaminado com a conjuntivite bacteriana, quando a bactéria fica de prontidão para atacar. Também dá para contrair a doença na forma alérgica, quando, por exemplo, um corpo estranho, nesse caso o glitter, irrita o olho do folião.

Já a conjuntivite viral pode ser transmitida pelo beijo, pelo contato maior, no corpo a corpo - o que, convenhamos, é difícil de evitar nesse período do ano. “Além disso, as pessoas costumam exagerar, se alimentando mal, bebendo muita cerveja e isso deixa o sistema imunológico fraco”, acrescenta Ivan.

Segundo ele, os casos neste ano se atenciparam, já que por aqui a festa começou mais cedo. E como é quase impossível evitar o contato em ambientes com grande aglomeração de pessoas, como as festas de largo e o próprio Carnaval, a contaminação se torna bem mais fácil e rápida.

Viagem adiada Não foi só a UPA dos Barris que atendeu muita gente. Outras unidades de saúde da capital ficaram cheias. Na UPA do Cabula, durante a tarde, grande parte dos pacientes que aguardavam atendimento reclamou dos sintomas.

Um grupo de seis turistas do Rio Grande do Norte chegou por lá de mala e tudo. Nos rostos, óculos de sol. Siderley Araújo, 40, é de Natal e conta que a companhia aérea impediu que ele embarcasse por conta da doença. No grupo dele, pelo menos três pessoas pegaram conjuntivite. “Eles (a companhia aérea) deram o apoio na remarcação da passagem, mas a gente quem vai ter que pagar o hotel e alimentação”, disse Siderley.

Segunda ela não vai A cozinheira Luiziane Oliveira, 26, saía da UPA do Vale dos Baris cabisbaixa, evitando a claridade, embora estivesse de óculos escuros. Nas mãos, o atestado médico comprovava que ela deveria ficar pelo menos cinco dias longe das suas funções. O patrão já estava ciente da sua conjuntivite e, por mensagem, ela comprovaria que precisava de repouso.Aliás, em uma farmácia no Canela, uma das atendentes verificou o aumento na procura por colírio sem receita médica. “Durante o Carnaval foram pelo menos seis pessoas. Em dias normais é difícil alguém comprar o colírio sem a receita. Ano passado foi a gripe, este ano, a conjuntivite”, contou Nanci Lisboa, 35.

Apresentar atestado médico falso é crime Apresentar um atestado médico para a empresa logo após o período do Carnaval não é um problema, de acordo com Tatiana Ferraz, diretora da Associação Brasileira de Recursos Humanos Seccional Bahia (ABRH-BA). Isso não causaria, por exemplo, uma imagem negativa do funcionário.

É que já é esperado pelas empresas, explica a diretora, que seus colaboradores faltem ao trabalho depois dos longos feriados. O que não pode acontecer em hipótese alguma é apresentar ao patrão um atestado falso. Nesse caso, é demissão por justa causa. Justíssima.

“As empresas não têm o que fazer, caso o atestado seja válido, até porque esse colaborador pode transmitir a doença para todo o quadro de funcionários. Todos os RHs do Brasil estão cientes disso, inclusive o período do Carnaval é conhecido com o Dia Internacional dos Atestados”, afirma a diretora. Caso o atestado seja falso, no entanto, o funcionário comete o crime de Falsidade de Atestado Médico, previsto no Código Penal brasileiro e que implica em detenção de um mês a um ano. Algumas empresas que possuem junta médica, quando verificada a ilegalidade, solicitam ao colaborador que refaça os exames médicos.

“Com o atestado falso, acaba que o funcionário comete um crime, tanto de atestado falso, como, em alguns casos, de falsidade ideológica, indo muito além do âmbito da empresa”, pontua Tatiana. Por falsidade ideológica, a pena varia de detenção de um a cinco anos, além de multa.

E as empresas acabam sentindo o reflexo do pós-folia. Quando o trabalhador falta, sobra para o que está em boas condições e, às vezes, para a própria empresa, que muitas vezes precisa arcar, quando possível, com trabalhadores temporários.

“Quando não há essa substituição, a empresa acaba valorizando um outro funcionário, aí podemos ter um custo de horas extras, por exemplo. Há, sim, um impacto, mas ainda não temos números de quanto as lojas e empresas perdem com isso”, diz Paulo Motta, presidente do Sindicato dos Lojistas da Bahia (Sindilojas).

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