O futuro do mercado de trabalho é hoje: veja como garantir sua vaga


CORREIO conversou com especialistas que destacaram as principais habilidades e competências que o profissional do futuro precisa ter


Cada vez mais o currículo de papel tradicional vai perder espaço nos processos de recrutamento para as habilidades pessoais e sociais do profissional. São as características não necessariamente certificadas em um diploma que em um futuro não tão distante assim vão ser determinantes no processo de contratação.

Às vésperas de mais um 1º de maio - e este ano, em um cenário de retomada da economia, após um longo período de recessão - o CORREIO conversou com especialistas em carreira e trabalho sobre o futuro dos empregos, o que é tendência daqui para frente e o que fazer para manter ou conquistar uma vaga. Todos foram unânimes em afirmar que o futuro, na verdade, é hoje.

“Temos um mercado que espera mais do que conhecimento técnico de seus colaboradores. O profissional do momento é aquele muito mais engajado, preocupado com a sua carreira e em se desenvolver técnica e emocionalmente para se manter competitivo nesse mercado em constante evolução”, avalia a assessora de Carreira da Catho, Carla Carvalho.

O site de vagas tem atualmente 220 mil vagas de emprego disponíveis em todo o país. Entre as profissões mais promissoras para os próximos anos, segundo a Catho, estão a de gerente de trade marketing, especialista na área de Mobile Marketing, analista de SEO, gestor de Mídias Sociais e gerente de Marketing Digital.

“O movimento de mercado dos últimos anos direcionou os olhares para outras habilidades como inteligência emocional, bom relacionamento interpessoal e facilidade para administrar e resolver conflitos. O pensamento crítico, a capacidade analítica e habilidade de ensinar/aprender são outros requisitos fundamentais”, assegura Carla.

Mais mudanças

O consultor de desenvolvimento de líderes e autor do livro Domínio Emocional em uma Era Exponencial (2018), Louis Burlamaqui, defende ainda outra competência que o profissional vai precisar ter na bagagem: o domínio tecnológico. “Há um movimento avançado de robotização de atividades mecanizadas de humanos. Ou seja, tudo que puder ser medido e couber um algoritmo, será substituído por um robô. O que espera por nós? Precisaremos entender profundamente sobre nós mesmos para podermos maximizar nossa atuação”, defende.

No entanto, também é necessário entender que quando acabam empregos, outros novos irão surgir, como destaca Burlamaqui."Hoje, por exemplo, necessita-se muito de programadores e estatísticos. Veja que isso já é uma mudança. Qualquer um que se forme nisso tem um bom salário à espera”.

Nos processos de contratação da Ambev, os atributos são determinantes. A empresa, inclusive, está com vagas abertas na Bahia para a contratação de promotores de venda e também para os programas de Programa de Trainee e Estágio. As inscrições podem ser feitas no site www.ambev.com.br/carreiras/trabalhe-conosco/.

“A contratação funciona como se fosse um namoro. Os dois lados precisam se escolher. A pessoa também precisa se identificar com a empresa para que haja o casamento”, afirma a gerente-geral de Gente e Gestão da empresa, Vânia Moraes. “É o futuro que a gente está buscando: perfil de inovação, pessoas proativas, dinâmicas, com espírito empreendedor e que saibam se adaptar rapidamente a diversas situações. Que vejam na empresa um propósito e tenham orgulho da marca”, diz.

Para se dar bem neste novo mercado, Fábio Rocha, diretor de Relações Institucionais da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-BA), aconselha: “Tem de sair do conceito de profissional comum e gerenciar a própria carreira, investir nas competências comportamentais”. Desde hoje, tanto empresas quanto os trabalhadores precisam cuidar mais dos seus ativos imateriais. “O profissional deve potencializar o que tem de melhor e eliminar ou minimizar fraquezas. As empresas precisam cuidar do seu propósito e da cultura organizacional. Esse é o desafio”, afirma.

Número de negócios cresce mais de 40%

Em quatro anos, o volume de empreendedores baianos cresceu 43,67%, na comparação entre o primeiro trimestre de 2014 e o mesmo período deste ano. Quando o país mergulhou na recessão eram 255.453 microempreendedores individuais (MEIs). Atualmente, segundo dados do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), são 367.002 MEIs na Bahia.

O cenário mostra o quanto a crise transformou o mercado de trabalho e fez crescer o empreendedorismo, sobretudo como uma alternativa de renda ao desemprego. “O trabalho por conta própria realmente virou uma solução pra muitas pessoas que perderam o emprego formal em função desse movimento de retração na economia. Esse foi um movimento essencial para o fortalecimento do empreendedorismo”, analisa a gerente adjunta do Sebrae em Salvador, Mariana Cruz.

Ainda de acordo com o Sebrae, as cinco atividades onde os baianos mais empreenderam nos últimos anos foram no Comércio de Vestuário de Artigos e Acessórios (32.120), Minimercado (19.238), Lanchonetes, Casas de Chá, Sucos e Similares (8.519), Comércio Varejista de Bebidas (8.444) e Bar e Congêneres (6.390).

“Quem quer ter sucesso nos negócios precisa se preparar, não só na questão de exercer determinada atividade. Ela deve fazer bem à gestão do negócio - vendas, marketing, finanças. Em seguida, é fundamental conhecer o publico-alvo e ter relacionamento customizado com a sua carteira de clientes”, completa.

Setores de serviço e agronegócio devem ser responsáveis pela geração de novas vagas, aponta SEI

Com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), publicados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2017, na Bahia, a taxa de desocupação apresentou a maior média anual, chegando a 17,0%. Ainda que o cenário não seja dos mais animadores, o mesmo levantamento mostra que a taxa vem declinando após ter alcançado o maior patamar da série no intervalo de janeiro a março do ano passado (18,6%).

O movimento levou o ano a fechar com uma taxa trimestral de desocupação de 15,0% – a menor desde o final de 2015 (12,2%). “O cenário ainda se encontra distante daquele observado nos tempos áureos quando a taxa era de 9,0%. De qualquer forma, depois de uma turbulência, como a ocorrida entre 2014 e 2016, leva certo tempo para a economia retornar aos níveis pré-crise, ainda mais no que diz respeito ao mercado de trabalho”, analisa o economista da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), Luiz Fernando Lobo.

Segundo as projeções realizadas pela SEI, o mercado de trabalho baiano manterá seu processo de recuperação nos próximos três meses de 2018. “A geração líquida de empregos com carteira assinada esperada deverá ser influenciada, principalmente, pelo comportamento dos setores de Serviços e de Agropecuária, que deverão ser destaques positivos em termos de saldos”.

PARA SAIR NA FRENTE

Habilidades sociais e emocionais Adaptabilidade, saber lidar com frustrações, trabalhar em equipe, resiliência, criatividade, futurismo e domínio tecnológico passam a ser até mais importantes que o currículo tradicional. Por isso, mais do que nunca, o profissional vai precisar não só fazer a gestão da sua carreira, mas indentificar seus aspectos comportamentais mais fortes, seus pontos de melhoria e investir neles.

Qualificação Estar por dentro das novas tendências e buscar formação serão cada vez mais atributos valorizados pelas empresas. O profissional precisa estar aberto a novos conhecimentos e ir em busca deles.

Autoconhecimento Trabalhe seu modelo mental. Atue em uma carreira que você realmente goste e trabalhe em uma empresa com a qual realmente se identifique. Otimize suas competências e isso vai melhorar muito sua performance profissional e resultado. O meio mais favorável para encontrar um trabalho que gere satisfação é se associar a algo que tenha valor e significado.

Cultura organizacional Outra coisa que tem indeferido bastante nos processos de recrutamento e seleção está ligada ao ‘fit cultural’, o que os especialistas em Recursos Humanos chamam de valores iguais ou próximos aos compartilhados pela empresa. Por isso, as organizações estão a procura de profissionais não apenas qualificados para a vaga, mas que, sobretudo, estejam adequados e ajustados à sua cultura organizacional.

Capacidade É preciso ser realmente muito bom naquilo que faz. Isso dá segurança e ao mesmo tempo realização. Mas se lembre que a vida não é só trabalho. O equilíbrio entre os lados pessoal e profissional tem de valer muito a pena.

Resiliência É outra chave crítica para saber voltar ao eixo quando tudo desabar. Também é importante a capacidade de se reinventar, recomeçar, e ter disposição para se reconstruir.

Fonte: Correio 24h


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