Como liderar com propósito para uma liderança transformadora?



Artigo elaborado pelo Grupo de Práticas Liderança Transformadora

Autores: Coordenação: Ana Thereza Araújo Camila Roxo Aurivan Sérgio da Silva Joelize Lima Regina Márcia Joau

O cenário competitivo, inovador, digitalizado e ágil, onde as informações chegam em tempo real como um reflexo da revolução 4.0, requer um modelo de liderança cada vez mais ativo e processos colaborativos, democráticos e estratégicos.

Esse novo modelo requer um líder que assume novos compromissos e atitudes, que vão além da relação líder x liderado, que promove o protagonismo do indivíduo e a identificação do seu propósito, e o alinhamento da cultura institucional com os valores e o propósito das pessoas, um dos desafios mais importantes para uma liderança transformadora.

Essa transformação demanda uma mudança nos modelos mentais (mindset) dos líderes, no seu envolvimento com a equipe, e na sua habilidade de antever o futuro, uma vez que simplesmente comunicar o seu propósito e pedir que as pessoas o persigam ou trabalhem em prol dele, não será suficiente para que elas o internalizam efetivamente.

Neste sentido, a proposição é repensar o papel deste líder em desenvolver, mobilizar e sensibilizar as pessoas tendo como ponto de partida a identificação deste propósito. Para o líder gerar entusiasmo, engajamento e otimismo, é preciso que ele tenha como desafio maior obter o autoconhecimento, a autorresponsabilidade e a autogestão.

De acordo com David Lourenço Filho, em seu artigo Liderança com Propósito “as pessoas mais produtivas começam descobrindo seus propósitos e a partir desta descoberta determinam as prioridades que direcionam suas ações”. Daniel H. Pink, autor do livro Drive, apresenta três fatores motivacionais na ambiência corporativa “Autonomia, maestria e

propósito”, que em uma perspectiva dialógica, nos faz entender que: pessoas que sabem o que querem, o que é importante ou o que as motivam, têm a possibilidade de entender e escolher melhores oportunidades para o alcance de maiores resultados.

Podemos entender, então, que objetivo principal está pautado numa nova abordagem das motivações intrínsecas e construído sob os pilares da ousadia, da adoção de riscos e de busca de aprendizado para atuação efetiva da liderança transformadora, somente possível a partir da construção de espaços de diálogos autênticos com todos os seus interlocutores e do entendimento do que move as pessoas.

Parafraseando Simon Sinek, se o líder não entende de pessoas, não entende de negócios. Entender de pessoas está ligado intrinsecamente ao ato de gostar genuinamente de gente, passar pelo desejo de conhecer pessoas, que traz em si toda a sua singularidade, passa por legitimar esse outro com tudo que ele traz, passa pelo cuidado deste líder em trabalhar sua Autoconsciência, Autorresponsabilidade e Autogestão, competências estruturantes.

Atualmente, o tema propósito tem sido muito discutido devido ao seu caráter revelador de sentido à existência humana e de autoconsciência. Muitas pessoas querem liderar, mas não sabem porque o querem. Quando uma pessoa tem consciência do seu propósito e o mesmo está alinhado ao contexto organizacional, a motivação e o desempenho tendem a ser superiores, o que afeta de maneira positiva os resultados.

Nesse contexto, um dos papéis do líder transformador é estar consciente de si, do seu propósito e assim promover a elevação da consciência nos outros. Em seu livro “Coaching para aprimorar o desempenho”, John Whitmore ressalta que elevar a consciência promove o desenvolvimento da autoconfiança, crença em si mesmo e a responsabilidade pessoal, que são atributos para a alta performance. “A jornada rumo a uma liderança esclarecida está longe de ser simples, é um desafio e requer tempo.” Outro eixo estruturante é a Autorresponsabilidade. Como nos traz Leonardo Wolk em seu livro “A Arte de Soprar Brasas”, "Ter responsabilidade sobre si é decidir como responder frente às situações ou circunstâncias", não no sentido de encontrar culpados, mas perceber-se nas escolhas de posicionamentos diante dos fatos que acontecem no mundo corporativo, escolhendo as ações mais adequadas e alinhadas aos objetivos estratégicos,

a partir de uma liberdade essencial.

Como nos traz o filósofo francês Jean-Paul Sartre, ser responsável é ser autor, estamos condenados a ser livres. Assim, cada líder transformador é autor do seu próprio modelo de existência. Quando falamos de Autorresponsabilidade não estamos tratando de algo abstrato, é algo concreto, é o líder transformador dialogando com seu time, tomando decisões, executando processos, assumindo as consequências das ações escolhidas e dos resultados encontrados.

As perguntas cabíveis a todo líder transformador é: Quanta responsabilidade você está disposto a assumir? Qual história que você decidirá contar, a história da vítima com suas desculpas tranquilizadoras ou a história do protagonista, fazendo-se parte do problema, sendo também parte da solução? Agir como um líder transformador e protagonista tem um custo, e esse custo é a responsabilidade.

Por fim, trazemos outra competência extremamente importante para todo líder transformador, a Autogestão. A autogestão ou liderança interior é um atributo a ser desenvolvido com afinco e determinação para que possamos nos tornar líderes transformadores numa perspectiva abrangente e direcionada a uma melhor performance dos diversos papéis que exercemos ao longo da vida. Uma habilidade intrinsecamente relacionada ao sucesso na vida pessoal e profissional.

Aprender a lidar com as emoções pode ser o início do processo de autogestão e o despertar para a percepção de que uma verdadeira mudança só acontece de dentro para fora. O desafio é fazer com que os nossos pensamentos, emoções, crenças e atitudes trabalhem a nosso favor e não contra nós, considerando que as adversidades existem e o nosso maior rival somos nós mesmos.

Fica então o questionamento: como desenvolver a liderança interior (autogestão)? Em primeiro lugar tomando consciência daquilo que nos impede das verdadeiras transformações; reconhecendo os nossos propósitos, os nossos desejos, as nossas metas e os objetivos para que possamos identificar qual o caminho a ser trilhado.

Não podemos deixar de frisar que para que o processo aconteça será necessário assumir a nossa responsabilidade, acreditar que mudanças só acontecem em nossas vidas se nós as permitirmos.

Tudo começa e depende de nós mesmos, então, a autogestão funciona como catalisador deste processo e compõe o tripé que acreditamos fazer a diferença na formação de uma pessoa e um líder transformador – autoconsciência, autorresponsabilidade e autogestão. Sendo assim, podemos entender que a liderança transformadora, em um cenário de transformações tecnológicas, é aquela que é movida pelo seu propósito, o tem alinhado ao da Organização e mobiliza pessoas para resultados exponenciais.

Referências Bibliográficas: Sinek,Simon. Quê? Como Motivar Pessoas e Equipes a Agir, Saraiva; 2011. Wolk, Leonardo. A Arte de Soprar Brasas, QualityMark; 2008. Whitmore, John. Coaching Para Aprimorar o Desempenho, Clio; 2012. Marques, José Roberto. Leader Coach Coaching Como Filosofia de Liderança, Ibc - Ser Mais; 2012. Pink, Daniel. Drive: A surpreendente verdade sobre aquilo que nos motiva. Lua de Papel, 2017. Portal dos Administradores. Disponível em:

http://www.administradores.com.br/artigos/carreira/lideranca-com-proposito-a-chave-do-sucesso- em-gestao-de-projetos/98748/ Acesso em: 23 de agosto de 2018

CRBASSO. Disponível em: https://www.crbasso.com.br/blog/lideranca-4-0-voce-esta-preparado/ Acesso em 20 de agosto de 2018 Revista HSM Management. Edição 129. Disponível em: http://www.revistahsm.com.br/ Acesso em: 07 de agosto de 2018

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