Como mobilizar pessoas em um cenário de constantes mudanças?



Artigo elaborado pelo Grupo de Práticas Liderança Transformadora

Autores: Coordenação: Amanda Alcântara Camila Roxo Camila Roxo

Muitos estudos resultaram em diversas teorias sobre liderança, mas todos buscam responder: Como mobilizar pessoas em um cenário de constantes mudanças em que as informações chegam em tempo real?

Hoje vivemos em um mundo interconectado, volátil, incerto, complexo e ambíguo que muda rapidamente. Esse cenário, afeta as pessoas e os seus comportamentos, refletindo principalmente, no contexto de atuação dos líderes.

Fica muito fácil imaginar o líder transformador como um super-herói com superpoderes que responde prontamente às mudanças. Essa ideia de um líder que age sozinho e faz uso da imposição e autoridade para resolver os problemas precisa ser desmistificada. Não cabe mais na nossa atual realidade, um líder que rouba a cena e posiciona-se como defensor exclusivamente do seu ponto de vista, sem atuar como conciliador dos interesses das empresas e dos seus colaboradores.

O líder transformador precisa fazer interconexão com o mundo, fugir do conceito do certo e errado, fomentar a inovação, romper conceitos, ultrapassar a barreira do conservadorismo e, construir um “Highway” para resultados exponenciais.

O Líder é um ser humano que embora não tenha superpoderes, precisa ser capaz de perceber a maturidade profissional, o propósito e o nível de engajamento do seu liderado, transformando, assim o seu ambiente de atuação, as pessoas e o mundo organizacional.

Falar desse novo líder revela o seu papel crucial de mobilizar as pessoas em uma só direção por meio da sua influência, da convergência de forças e da total conexão com os seus liderados. Conduzi-los na obtenção de melhores resultados o faz responder com efetividade as transformações como um agente de mudança.

Para Kouzes e Posner liderar é a arte de mobilizar pessoas por meio do exemplo, inspirando as pessoas a segui-lo, desafiando o status quo, assumindo riscos e confiando na sua equipe. Esse modo de se relacionar o faz encorajar as pessoas a enfrentarem os desafios e a disseminar o espírito de equipe.

Esse processo relacional foi considerado primeiramente por MacGregor Burns, quem utilizou a expressão Liderança Transformadora, em 1978. Para o autor, a liderança por si só é transformacional por se dá em um processo de influência e interação entre líder e liderado. Como resultado, percebe-se um relacionamento genuíno de estímulo mútuo onde o líder, inconscientemente, busca motivos potenciais na sua equipe a fim de satisfazer as suas necessidades.

Percebe-se que há um papel relevante tanto do líder quanto do liderado, visto que na relação construída entre ambos o foco é no direcionamento e na transformação. O contínuo desenvolvimento que acontece na dimensão individual e coletiva fortalece o vínculo e a confiança entre ambos, o que reflete positivamente na performance e, consequentemente, nos resultados.

Os resultados aparecem também quando as pessoas são incentivadas, muitas vezes desafiadas e direcionadas pelo seu líder. Muitos precisarão de mais apoio, outros de mais reconhecimento, mas cabe sempre ao líder despertar nos seus liderados a vontade de fazer e comprometer-se com o propósito da equipe para conseguir resultados melhores. Para isso, precisa criar condições que estimule a sua equipe a fazer melhor uso das suas potencialidades.

Mobilizar pessoas essencialmente trabalha com um gráfico de crescimento com paixão, iniciativa e proatividade, que resultam na atitude, e esta na prática é resultante da

velocidade, conexão das entregas com visão estratégica (fortalezas, vulnerabilidade, oportunidades e ameaças). É envolver alta administração, pares e equipe com o mesmo propósito e direcionamento (sabendo que meta é algo sempre crescente). É ter vontade de inovar. É ter capacidade de captar, saber atuar como fazer Coach, delegar e principalmente saber que seu papel é essencial nesta mobilização, agindo democraticamente, sem precisar fazer uso da imposição de tarefas pela autoridade.

O uso da comunicação, da empatia e da escuta ativa são fatores chaves para o estabelecimento do vínculo emocional norteador do processo de transformação. Estimular ações que favoreçam o respeito, a diversidade de ideias e a abertura ao diálogo promoverá a coesão e sinergia cada vez maior na equipe.

É necessário pulsar cultura organizacional e conectar a coletividade aos valores. Além de incentivar o aprendizado contínuo, fomentar a mudança e reinvenção, fugir dos padrões e limitações do atendimento ao desenho de competências fixas e gaps. É preciso incentivar a criatividade e manter a sua acuidade sensorial coletiva aberta à prevenção e reação. O engajamento e a mobilização são decorrentes da interconexão entre potenciais ideias, o reconhecimento de entregas e a capacidade de se comprometer com o objetivo em comum.

Por fim, vale lembrar que a liderança transformadora surgiu como uma resposta às mudanças e a figura de líder é mais humanizada. Sendo assim, esse líder também precisa ser cuidado, inspirado e desenvolvido. Parafraseando Mário Cortela: “Gente não nasce pronta e vai se gastando. Gente nasce não pronta e vai se fazendo. O grande desafio humano é resistir à sedução do repouso, pois nascemos para caminhar e nunca para nos satisfazer com as coisas como estão. A insatisfação é um elemento indispensável para quem, mais do repetir, repetir, repetir, deseja criar, inovar, refazer, modificar, aperfeiçoar. Assumir esse compromisso é aceitar o desafio de construir uma existência menos confortável, porém ilimitada e infinitamente mais significativa e gratificante”.

Referências Bibliográficas: Cortela, M. S..: Não nascemos prontos: provocações filosóficas. Petrópolis: Vozes, 2006.

Ismail, S..Organizações exponenciais: por que elas são 10 vezes melhores, mais rápidas e mais baratas que a sua (e o que fazer a respeito) / Salim Ismail, Michael S. Malone, Yuri Van Geest; tradução de Gerson Yamagami. - São Paulo: HSM Editora, 2015.

Dweck, C.S. Mindset: a nova psicologia do sucesso. São Paulo: Objetiva, 2017. Guzmán, M. de. Para pensar mejor: desarollo de la creatividad através de los processos matemáticos. Madrid: Pirâmide, 1997.

Kouzes, J. M. & Posner, B. Z. O desafio da liderança. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003.

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