Resultados exponenciais seriam apenas por meio digital?



Artigo elaborado pelo Grupo de Práticas Liderança Transformadora

Autores: Coordenação: Amanda Alcântara Camila Roxo

Elisabete Mercadante

Inovação, tecnologia, blockchain, inteligência artificial, automação, agilidade. Palavras totalmente corriqueiras nas reuniões empresariais nos tempos de hoje. As chamadas Unicórnios roubaram a cena e alteraram o equilíbrio. Usaram de tecnologia e criaram modelos de negócio nunca antes imaginados. Mas para se alcançar resultados exponenciais é só usar um aplicativo e pronto? Será?

A soma dos fatores como velocidade, flexibilidade, melhorias incrementais, atenção aos clientes e execução rigorosa é um resultado disruptivo que leva ao exponencial. As organizações precisam aproveitar seus pontos fortes e seu Know-How, assim como explorar algo novo em novas áreas. O mundo hoje exige, obviamente, conexões entre estes fatores e o recurso tecnológico acessado por notebook, celular, tablets, chips etc. O cliente, hoje, pede a solução para suas demandas esteja na ponta dos seus dedos, na palma da mão, em qualquer hora e qualquer lugar.

Jeremy Rifkin, citado por Leandro Jesus, diz que “a revolução tecnológica nos permitirá migrar rapidamente para uma era de produtos e serviços praticamente gratuitos, precipitando um crescimento meteórico da economia colaborativa e a ruína das forças de mercado inerentes ao capitalismo”. A tecnologia permite acesso, reduz intermediários, horizontaliza a economia.

São conhecidos os casos como UBER, Netflix, Spotify, Waze, Airbnb, Amazon etc, onde houve uma disruptura e conectaram a demanda dos clientes e o click do novo mundo. Isso ilustra para a necessidade de se vincular resultados exponenciais com o rompimento de um ambiente tradicional e o oferecimento de tecnologias inteligentes, adaptáveis e

abrangentes. A tecnologia foi o meio que permitiu democratizar serviços, reduzindo barreiras de entrada.

Atrela-se então, resultados exponenciais ao mundo digital e não só a rentabilidade das organizações. Neste contexto, o líder deverá fomentar, apoiar e incrementar o movimento de renovação estratégica e estar conectado com a missão e visão, onde percebam a sua capacidade de desafios tanto no aproveitamento de competências existentes, na entrega de produtos e cultura organizacional como na exploração de novos campos de atuação, isso é o que Charles A. O’Reilly III e Michael L. Tushman explicam como organizações perspicazes, chamando de ambidestra esta capacidade de aproveitamento e exploração, para não perder o foco inovador.

Segundo Salim Ismail, fundador, diretor executivo e embaixador mundial da Singularity University, o termo “organizações exponenciais”, é utilizado para empresas que desenvolvem soluções pelo menos 10 vezes melhores, mais rápidas e de menor custo que as empresas estabelecidas no mercado. Sendo assim, para conectar a organização a mudança e detrimento a demanda virtual e globalizada, é preciso que seja detectada a tecnologia que será atrelada para embasar o seu avanço e adequação. Interessante o que Salim chama de 4 D’s – Digitalização (os produtos e processos e processos estão sendo digitalizados), Disrupção (pensar no novo de forma inovadora), Desmonetização (queda de custos) e Democratização (acesso para todos), necessários às empresas que planejam resultados exponenciais.

Para Peter Diamandis, fundador da X Prize Foundation, as tecnologias irão transformar a sociedade e o mundo corporativo. Talvez o tempo verbal não seja futuro do presente, mas sim presente. Afinal, impressora 3D, robôs autônomos e inteligência artificial já estão mudando o mundo para valer. E não é só no chamado “chão de fábrica” não. É também na área médica, jurídica, serviços, educação. Pesquisas e estudos apontam que 40% das empresas que hoje estão no Fortune 500 poderão não mais existir no futuro (Jesus, 2017).

Mas antes de sair por aí adquirindo aplicativos, robôs, óculos de realidade virtual, cabe ter claro o que quer alcançar! Eficiência operacional, novos mercados? Sem mudar a forma de pensar, a tecnologia pode virar mais um acessório problemático do que uma solução

efetiva. Durante o evento HSM HR Conference (2018), Christian Orglmeister, trouxe uma reflexão sobre o momento de transformação digital que as empresas estão vivenciando: 10% algoritmo + 20% tecnologia + 70% gestão e processo.

Importante salientar que o novo e tecnológico, por si só não sobrevivem, sem uma cadeia de relação estratégica entre o propósito organizacional e sua capacidade de atender ao que se predispõem, onde deve ter baixa ou nula tolerância ao erro. Estarão fadadas ao fracasso aquelas organizações que dispararem os seus meios digitais, sem a capacidade de atendimento rápido e excelente para atender todas as expectativas do seu público alvo, sejam digitais, inovadores, de baixo custo e alta excelência, pois se assim finalizar sua relação com os clientes, perderá espaços para experimentação por eles, na plataforma digital vizinha e acessível.

Para aquelas empresas que ainda mantém o foco no lucro pelo lucro, seu cenário também é incerto. A tecnologia deve ser pensada atrelada a modelos de negócio que “(...) busquem conciliar a busca por impacto positivo ao seu redor com aferição de lucros.” (Jesus, 2017) Muitas empresas têm optado por realizar parcerias e aquisições, visando adentrar no novo mundo. Afinal, conforme Fuller, citado no Jesus em seu livro Exploradores em um mundo em transformação, não se muda as coisas lutando contra a realidade existente. Para mudar algo, deve-se construir um novo modelo que torne o velho modelo obsoleto.

Retomando então a indagação inicial deste artigo, se resultados exponenciais seriam apenas por meio digital, podemos concluir que, se pensarmos no termo de resultado exponencial, ele está associado a serviços escaláveis e ganhos rápidos. Neste caso sim, a tecnologia será parceira indispensável. Mas que não deve caminhar sozinha. É parte e não o todo. Existirão outros serviços sem uso de tecnologia? Creio que sim. O mundo é diverso demais para acharmos que teremos um único caminho a seguir. Mas será resultado exponencial? Pelo conceito posto hoje, dificilmente. Humanize a sua forma de perceber a tecnologia. Veja como uma importante aliada para a reconstrução de modelos econômicos.

Referências Bibliográficas: Jesus, Leandro e colaboradores. Exploradores de um mundo em transformação - Conduzindo organizações na travessia para uma nova era. 2017

Tushman, Michael L/Charles A. O’Reilly III.Liderança e disrupção: como resolver o dilema do inovador. São Paulo: HSM,2017

Ismail, Salim Organizações exponenciais : por que elas são 10 vezes melhores, mais rápidas e mais baratas que a sua (e o que fazer a respeito) / Salim Ismail, Michael S. Malone, Yuri Van Geest; tradução de Gerson Yamagami. - São Paulo : HSM Editora, 2015. Site da Revista Época Negócios. Tecnologias exponenciais são protagonistas de revolução

nas indústrias, disponível em https://epocanegocios.globo.com/Caminhos-para-o- futuro/Desenvolvimento/noticia/2017/06/tecnologias-exponenciais-serao-protagonistas-de- revolucao-nas-industrias.html, acesso em 21 de agosto de 2018.

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